Arthur C Clarke explora esse assunto de uma maneira apesar de especulativa é claro, bem honesta em O Fim da Infância.
Muito além desse assunto, este livro trata de algo que considero mais profundo.
Nós humanos não temos referências de como o cosmos pode ser observado ou sentido a partir de outros pontos de vistas, mas através de nossa imaginação e guiados pelas palavras de grandes romantistas podemos tentar ver a vida, o universo e tudo mais de uma maneira mais ampla. E quando fiz isso tentei olhar para nossa espécie com um olhar despido de preconceitos e dos valores que carrego comigo.
Foi uma experiência interessante. A primeira coisa que percebi é a constante busca por identificação de padrões e consequentemente a intensa busca por dar sentido aos padrões previamente reconhecidos.
Essa é a característica mais básica dos homo sapiens e foi durante algumas dezenas de milhares de anos nossa principal arma.
Aparentemente essa busca incessante do nosso cérebro dividiu nossas mentes em dois tipos. Aquelas mentes que buscam racionalizar o mundo e o universo e aqueles que sabem que existe uma força ou forças maiores regendo as coisas e que por esta razão talvez não sintam a necessidade de catalogar tudo.
A linha que divide estes dois caminhos não é fixa e cada indivíduo decide ou é conduzido a um determinado lado.
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| Nossa dicotomia infantil nos permitiria reconhecer nossos salvadores? |
Eu, participante ativamente da linha racionalista sempre pensei que por mais misteriosa e sagrada tudo nesse cosmos poderia ser explicado.
Mas essa certeza minha foi abalada ao ler esta obra. Quando no auge da era da razão a raça alienígena muito superior em diversos aspectos à espécie humana se mostrou interessada em algo que apenas nós tínhamos, uma consciência coletiva muito misteriosa e especulativa.
Então eu parei para refletir "e se". E acabei realizando que talvez nossa corrida pelo conhecimento esteja ofuscando alguma coisa, algo mais importante, talvez não imensamente misteriosa como a alegoria utilizada no livro, mas igualmente fundamental.
E da mesma forma as crenças de que tudo acontece por uma razão, pela vontade de um regente esteja também inibindo essa busca.
Em ambos os casos estamos nos distanciando daquilo que mais importa. Do agora.
Esse excesso ou total ausência de curiosidade podem estar nos impedindo de descobri o nome daquele sentimento que invade nossos corações enquanto esperamos alguma resposta das estrelas.


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