terça-feira, 1 de abril de 2014

A loucura subcutânea

O chapeleiro é realmente maluco?
É engraçado como eu passei a vida inteira buscando a razão acima de qualquer coisa.

Mesmo quando me dirigia para igrejas buscando algo que é fantástico à nossa realidade, eu pensava no lado lógico daquilo tudo, buscava compreender o que realmente significava todos aqueles dogmas e tabus.

Mas a busca pela lógica ocultava alguma coisa.

Já naquela época aconteciam coisas dentro de minha cabeça que nunca soube explicar muito bem, coisas que quando relatadas algumas pessoas diziam possuir também, coisas que algumas pessoas diziam ser de cunho espiritual, e acreditei nisso durante muito tempo.

A noite, quando meus pais apagavam as luzes, subitamente eu era transferido para uma caverna cheia de porcos. Havia de todo tipo, pequenos e tímidos, filhotes, magros, grandes e muito gordos. Alguns rolavam na lama que havia no centro da caverna outros pareciam descansar deitados na margem do lamaceiro.

Mas por trás de todos os porcos havia um que ficava sentado em uma espécie de trono, ficava quieto e observava os outros porcos no lamaceiro.

Sempre quando isso acontecia, não era todos os dias, digo, noites. Eu sentia muito medo, ou pelo menos me lembro de ter sentido. Tanto que as vezes corria para a cama dos meus pais com medo dos porcos.

Eu não tinha medo da maioria dos porcos, tinha medo do que ficava sentado no troco, porque apesar de não me lembrar de nada que ele tenha feito, eu sabia que ele falava, e um porco falante me assustava bastante.

Fora da realidade


O tempo passou, os sonhos com os porcos se foram, mas a imaginação fértil e infantil não. Até hoje as vezes me pego andando na rua imaginando que na verdade estava andando em um planeta distante, em uma cidade alienígena. Ou quando estou dirigindo, me pego imaginando que na verdade estou pilotando uma nave espacial.

Na verdade, a sensação que eu tenho é que existe um universo imenso e muito colorido dentro da minha cabeça e todos os dias eu me esforço para mantê-lo ali, mas em alguns momentos, aqueles em que minha caneca de café começa a cantar bohemian rapsody, ou quando alguém que esteja falando comigo se transforma no chubacca bem diante dos meus olhos, eu penso realmente se não estou ficando maluco.

O gato com casco de tartaruga que deixa um rastro de arco-iris pelo espaço


Então eu me pergunto: O que é melhor para nossa mente? extravasar nosso mundo mesmo que de mentirinha? ou firmar o pé cada dia mais na realidade?

Existe também a questão prática, no mundo real não há tanto espaço para sonhadores. Mas as melhores coisas da vida quando não de graça foram inventadas por pessoas que deixam seus pensamentos fluir sem medo.

Será que só podemos nos considerar adultos de verdade quando nosso desejo por imaginar mundos fantásticos termina? Se for assim ainda continuo um crianção.



Nenhum comentário:

Postar um comentário