quinta-feira, 3 de abril de 2014

Como alface para distimia

Lula Molusco em um dia normal
Como tudo nessa vida vira doença, eu já nem procuro mais ler sobre algumas sensações que tenho hora ou outra e que me deixam até mesmo um pouco preocupado.

E agora inventaram que  humor ácido provavelmente é proveniente de alguma doença que baixa os níveis de hormônios e diminui alguma coisa ou outra em nosso organismo. Isso sem falar nos estudos que indicam que o mau humor é genético...

what tha fuck u think u are, boy.
Bom, há alguns exemplos de pessoas que são conhecidas pelo seu típico mau humor. E eu não acredito que alguém tenha efetuado uma pesquisa com eles para saber as razões disto.

Alguns, realmente parecem que acordam mordidos todo santo dia. Mas por outro lados há pessoas como eu que possuem um mau humor aparente, feito para fazer com que as velhinhas ao me ver mudem de calçada.



Não estou fazendo descaso dos problemas psíquicos que muitas pessoas vem sofrendo, eu mesmo sofri muito de depressão e eventualmente me deparo com esse grande monstro dentro da minha cabeça, é sempre um duelo difícil.


Eu provavelmente me enquadro naquele grupo de indivíduos que utilizam do mau humor para se isolar, para fazer com que as pessoas ao redor não os encham a cabeça com conversas que não levam a lugar nenhum. Sobre as estradas perigosas em dia de chuva ou como o transito ficou ruim depois que colocaram um sinaleiro ali.

Na maioria das vezes, isso vem a calhar pois sempre mantenho minha cabeça longe, geralmente anos-luz de onde estou. Mas com o passar dos anos, esse isolamento social vem me causando alguns problemas, as vezes quero conversar, e nesses momentos, quando percebo que quero falar mas não sei sobre o que, onde as vezes quero entrar em alguma conversa paralela só para bater papo, mas me sinto invisível.

Seu Noronha


Essa sensação de invisibilidade é normal, afinal, uma pessoa faz tanta questão de que as outras não o incomodem que as outras aprendem a ignora-lo uma vez que dali não sairá nada. Como todo bom clichê da vida, isso acaba se tornando um ciclo vicioso, uma barreira bem complicada de quebrar.

terça-feira, 1 de abril de 2014

A loucura subcutânea

O chapeleiro é realmente maluco?
É engraçado como eu passei a vida inteira buscando a razão acima de qualquer coisa.

Mesmo quando me dirigia para igrejas buscando algo que é fantástico à nossa realidade, eu pensava no lado lógico daquilo tudo, buscava compreender o que realmente significava todos aqueles dogmas e tabus.

Mas a busca pela lógica ocultava alguma coisa.

Já naquela época aconteciam coisas dentro de minha cabeça que nunca soube explicar muito bem, coisas que quando relatadas algumas pessoas diziam possuir também, coisas que algumas pessoas diziam ser de cunho espiritual, e acreditei nisso durante muito tempo.

A noite, quando meus pais apagavam as luzes, subitamente eu era transferido para uma caverna cheia de porcos. Havia de todo tipo, pequenos e tímidos, filhotes, magros, grandes e muito gordos. Alguns rolavam na lama que havia no centro da caverna outros pareciam descansar deitados na margem do lamaceiro.

Mas por trás de todos os porcos havia um que ficava sentado em uma espécie de trono, ficava quieto e observava os outros porcos no lamaceiro.

Sempre quando isso acontecia, não era todos os dias, digo, noites. Eu sentia muito medo, ou pelo menos me lembro de ter sentido. Tanto que as vezes corria para a cama dos meus pais com medo dos porcos.

Eu não tinha medo da maioria dos porcos, tinha medo do que ficava sentado no troco, porque apesar de não me lembrar de nada que ele tenha feito, eu sabia que ele falava, e um porco falante me assustava bastante.

Fora da realidade


O tempo passou, os sonhos com os porcos se foram, mas a imaginação fértil e infantil não. Até hoje as vezes me pego andando na rua imaginando que na verdade estava andando em um planeta distante, em uma cidade alienígena. Ou quando estou dirigindo, me pego imaginando que na verdade estou pilotando uma nave espacial.

Na verdade, a sensação que eu tenho é que existe um universo imenso e muito colorido dentro da minha cabeça e todos os dias eu me esforço para mantê-lo ali, mas em alguns momentos, aqueles em que minha caneca de café começa a cantar bohemian rapsody, ou quando alguém que esteja falando comigo se transforma no chubacca bem diante dos meus olhos, eu penso realmente se não estou ficando maluco.

O gato com casco de tartaruga que deixa um rastro de arco-iris pelo espaço


Então eu me pergunto: O que é melhor para nossa mente? extravasar nosso mundo mesmo que de mentirinha? ou firmar o pé cada dia mais na realidade?

Existe também a questão prática, no mundo real não há tanto espaço para sonhadores. Mas as melhores coisas da vida quando não de graça foram inventadas por pessoas que deixam seus pensamentos fluir sem medo.

Será que só podemos nos considerar adultos de verdade quando nosso desejo por imaginar mundos fantásticos termina? Se for assim ainda continuo um crianção.



Só pra variar

Quando você prefere ser uma metamorfose ambulante, sem ser um roqueiro famoso, você acaba pagando de maluco, mas não um maluco beleza.

Olhares tortos de "vish, lá vem ele" são comuns, mas mais comum ainda é o desprezo do pensamento "ah, não é ninguém que importe". O desprezo não os deixam com caras de viado que viu o caxinguelê, ele é ocultado por uma camada de educação e uma pitadinha de politicagem, mas ainda assim é perceptível.

Realmente dói tanto assim pensar de maneira livre?

Não, na verdade a dor está relacionada diretamente ao meio social cujo se está inserido. Pois há pessoas sempre mais ou menos favoráveis às idéias daqueles que tentam fugir do senso comum. E juntamente com essa localização social sente-se uma vontade maior ou menor de se integrar a uma sociedade alternativa.



Manter aquela velha opinião formada sobre tudo nunca me foi atrativo, sempre busquei ver as coisas de uma forma diferente, seja pela lógica, pela fé ou pelo misticismo. Mas é fato que eu sempre mudei, mudei de idéia, mudei minha fé, mudei de perspectiva sobre a vida.

Você pode dizer "há, a mudança faz parte da vida, nós crescemos e ficamos mais experientes".

Sim, concordo. Nós mudamos naturalmente com o tempo e com as experiências de vida, há quem sinta prazer na dor e depois passe a sentir dor no prazer. Mas no campo das idéias, o mundo é composto grande parte por pessoas que não mudam.

Permanecendo estáticas, muitas vezes por falta de tempo, preguiça, medo ou todas as opções anteriores. Não conseguem duvidar das coisas, ou simplesmente parar para pensar a respeito do mundo, da sociedade, da vida. E quando questionados, dizem que não interessa, que estes pensamentos não irão levar a lugar algum, e muitos tem medo de entrar num bode e então se esforçam para serem sujeitos normais. Ou parecerem.

Caxinguelê é um esquilo e não magia negra.

Antes de dizer ao mundo que você está certo, e que você já resolveu as equações que não sabia, saiba que existem pessoas que pensam diferente, não porque é melhor ou mais práticos, é porque pessoas são diferentes, e mesmo que você saiba ler a bíblia de cor e que saiba qual será o dia em que o mundo irá parar, se acalme, respire pois estamos esperando o trem das 7 na mesma estação.