quinta-feira, 31 de julho de 2014

A solidão nunca foi tão bonita

Eu não sou crítico de filmes, portanto, permitam-me errar um pouco.



Talvez por eu ser um aficionado por tecnologia, e estar muito interessando em inteligência artificial, minha esposa me sugeriu assistir Her, um filme que trata sobre auto-consciência artificial.

Bom o filme não fala sobre auto consciência computacional, nem sobre Inteligência artificial.

É um filme que fala sobre nós, seres humanos, que somos capazes de nos apaixonar pela Siri (https://www.apple.com/ios/siri/) simplesmente pelo fato dela responder nossas perguntas.

Agora imagine um mundo vintage-futurístico, tão neutro em tons e em personalidade que se torna impossível dizer em qual cidade ou se não fosse pelo idioma inglês qual país se passa a história.



Eu tentei reconhecer Los Angeles diversas vezes mas no final fiquei sem saber.

Nesse período, a tecnologia não se destaca, ela não está em um óculos mais do que um pequeno e sutil led, ela não está em nossos pulsos como se a qualquer momento fôssemos morfar e chamar um Megazord.

A tecnologia faz parte do nosso corpo, da nossa alma, das nossas vidas. E assim ela é retratada.

Agora olhe para a cada desse indivíduo:

Joaquim Phoenix, não o considero  um bom ator, mas você consegue perceber o nível de tristeza desta personagem nos traços em seu rosto.

Her fala sobre solidão, solidão que esta presente dentro da alma de cada um de nós.

Her fala sobre o medo que temos de nos relacionar de verdade, de ser quem realmente somos na frente das pessoas.

Her observa toda a complexidade de nossa alma, nossas necessidades e nossos medos quanto relacionamento.


Falando assim parece que o filme é um tratado né, mas não é.

Calmamente, com muita fluidez nos é apresentado Theodore, um homem comum, como eu ou você, ele não é um perdedor ou nerd. Sua personalidade foi trabalhada delicadamente para que não caísse em nenhum esteriótipo comum.

Seu único mal, é mal que assola nossa geração inteira. A cada olhada para o seu telefone, Theodore espera, como nós esperamos quando abrimos nossos facebooks, que algo mágico aconteça e lhe retire da apatia cujo esta imerso.

E então um sujeito normal com problemas comuns encontra uma nova distração. Um sistema operacional com auto consciência.




Inicialmente, Theodore é retirado de seu eixo pela simples presença da voz da Samantha, uma voz quente, sexy e carregada de personalidade, ela não era apenas uma Siri com respostas prontas. Mas mesmo com a programação básica, ainda sem conhecer muito o mundo e o próprio Theodore, Samantha fez com que aquele sujeito mais uma vez, normal, se apaixonasse em questão de minutos.
O romance entre os dois surge naturalmente, não deixando de passar pela fase da estranheza, afinal estamos falando de um relacionamento entre um humano e uma máquina que nem possui corpo, a lua de mel, as incertezas dele como pessoa, dela sendo bombardeada por sentimentos novos, coisas que nem ela mesma não sabe explicar pois são sensações novas de inteligências novas.


Já ouvi muito Roxette viu...



Mas para Theodore, a doçura e a atenção de seu sistema operacional que a cada diálogo aprendia mais sobre ele e se maravilhava com as coisas do mundo, eram de alguma forma suficiente. Era como um namoro a distância, daqueles que ficam horas pelo telefone conversando, transando, aprendendo.

Como eu disse, eu não sou nenhum crítico de cinema. Mas se o enredo não o atraiu, certamente a qualidade da produção, o apego aos detalhes, a ambientação, a falta de contrastes, a visão futurística-retrô que remete aos anos 70 são chamarizes suficientes para você assistir um bom filme, com seu nível adequado de profundidade.

Mas longe dos futuros apocalípticos, longe dos cérebros positrônicos e das armas a lasers subjugando a espécie humana, longe de um ambiente carregadíssimo de informações, luminosidades e neons. Her, nos mostra pessoas que acabam perdendo a capacidade de se relacionar a não ser por intermédio computacional.

E para finalizar, quando você acha que eles irão viver felizes para sempre, o final nos surpreende, não com uma grande reviravolta, mas com honestidade, dentro do possível considerando o universo criado para o filme.

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